Mostrando postagens com marcador 2008. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2008. Mostrar todas as postagens

27.10.08

princípios gerais para o fazer científico

A Política (que independe de convicções partidárias) e a Espiritualidade (que independe das religiões; e em ambos os casos o lembrete poderia ser desnecessário) estão por toda parte, de tal modo que, ignorar ou suprimir tanto um quanto outro "lado" (porque às vezes parece ainda se trata de uma oposição) é igualmente impossível e reacionário.

Só podemos avançar, nós, a humanidade, à medida em que Política e Espiritualidade caminhem juntas, de maneira consciente e em franco equilíbrio. Enquanto a Política não for concebida e praticada como a expressão do convívio de seres espirituais na Terra e a Espiritualidade continuar sendo algo predominantemente restrito ao âmbito do progresso individual e extra-terreno, creio que nem mesmo os estudos -tanto políticos como espirituais- têm perspectiva de se renovar.

A estagnação está para ser superada alguma hora; diante da inteligência humana e da generosidade do Cosmo, esse movimento é inevitável. Mas, por que tanta relutância ao engajamento já, agora, coletiva e conscientemente, neste processo de espiritualização da Política (e do conhecimento acadêmico atual) e de uma politização da Espiritualidade (para além de uma ação "social" e filantrópica?)

Sobre a necessidade de uma consciência da Política e da Espiritualidade na pesquisa e na produção do conhecimento - do caderninho, 25/10/2008.


23.9.08

entrevista

Hoje aconteceu um fato interessante. Participei como entrevistada do programa "Terapia e Música", produzido pelo canal tvcinec e transmitido ao vivo pela internet. O tema o programa foi a relação de arquitetura e música. Foi um bom treino para tornar o conteúdo apresentável em uma situação "de improviso" (ou, pelo menos, sem tempo para maiores planejamentos).

O principal cuidado foi o de deixar claro que relacionar duas disciplinas ou artes, como no caso de arquitetura e música, não se trata de estabelecer traduções literais, e sim analogias muitas vezes um tanto sutis.


3.9.08

música na arquitetura da casa anderson

Coisas que pensei conversando com o arquiteto Michel Chaui do Vale sobre o projeto da Casa Anderson (www.casa-anderson.blogspot.com)

Estávamos projetando o telhado. Existe alguma resistência em desenhar o telhado de duas águas que a proprietária imaginou. Eu tinha pensado, outro dia, em propor um jogo de volumes planos muito ligeiramente inclinado (o suficiente para deixar descer a água), de diferentes alturas, que não seria nem o telhado corriqueiro, nem a laje plana já descartada pela cliente. Então Michel falou, até citando Lina Bo Bardi, do incômodo do "quase" - o quase plano ou quase inclinado, no caso. 

A música do início do século XX, pensei, ao formular uma proposta de expansão do tonalismo, estava lidando o tempo todo com este "quase". Enxerguei o telhado de duas águas como um material "tonal" e o quase inclinado como uma dissonância, justamente o intervalo não grande o suficiente para alcançar a consonância. 

Webern ou Berg, não tenho agora de ouvido qual dos dois, trabalhou dentro do desenvolvimento do dodecafonismo o intervalo da terça, seja na composição da série como harmonicamente mesmo. Me lembrei disso quando me peguei sugerindo ao Michel que trabalhasse, sim, com as águas que a cliente pede, encarando a questão central, então, do como.

Sem contar que a planta da Casa Anderson apresenta uma simetria nem tão implícita assim - e nem escancarada, exatamente como nas composições de Webern. A tese de doutorado da arquiteta Jane Duduch dá uma idéia de como Webern trabalhava a simetria. Jane transpõe a escala cromática dodecafônica de tons-sons para uma escala de tons-cores, produzindo a partir da Op. 27 de Webern uma partitura de cores e tamanhos na qual fica evidente o uso nada simplório da simetria pelo compositor. 

Curioso neste projeto também constatar a insuficiência da planta na compreensão volumétrica e espacial exigida pela arquitetura. Ao ter as plantas de térreo e superior nas mãos, a cliente num primeiro momento descartou o prosseguimento do trabalho do arquiteto e contratou os projetos complementares sem dar nenhuma direcão à conclusão do anteprojeto. Pensou ter nas mãos a partitura completa de uma sinfonia, quando tinha, se muito, a melodia ou mesmo um tema - saiu encomendando a harmonia sem orquestração por aí... Em música, essa fragmentação pode soar absurda, mas incrível como em arquitetura ainda se tem um longo caminho a percorrer no sentido da valorização da unidade, do conceito.


11.7.08

por uma nova invenção

O que facilitaria imenso a nossa vida seria internalizar, de fato, isso do que o juízo até permite um entendimento, mas que acabamos não levando para a prática: o que está aí não se formou da noite para o dia.

Precisamos fazer com que isto viva em nós - o que, pelo método da observação, pode ser até simples: olhando com atenção para um mapa da cidade, vemos grandes estruturas compactas cravadas no tecido urbano; um aeroporto, por exemplo. Aquilo veio de algum lugar, em determinada data e atuou diretamente na configuração de todo um entorno - e não só: os reflexos prolongam-se até os confins! (Podemos reduzir ou ampliar a escala do objeto sem prejuízos ao método - isto seria, pelo contrário, recomendado).

Talvez o encurtamento progressivo dos períodos entre uma grande mudança estrutural e outra - a ponto de não sabermos mais reconhecê-las com clareza - contribua para um empastelamento da nossa percepção da História, como se a História tivesse "parado" diante dessas transformações - de território, sociais etc. - e se, agora, vivêssemos num jorro, num fluxo sem forma. De algum jeito, mesmo sabendo que não (ou, quem sabe, já um tanto desconfiados do contrário), é como se já tivéssemos atingido e vivêssemos no FUTURO. O futuro, daqui para frente, torna-se um mero aperfeiçoamento -cruel!- de tudo o que foi inventado até hoje. Assim, a invenção foi retirada da "vida comum".

Qualquer pessoa consciente e comprometida com o potencial humano sente-se mutilada diante de tamanha impossibilidade. Por mais que os fatores pareçam nos empurrar para longe da lucidez e de um engajamento, é nítido como o mundo abriga uma série de pessoas "dispostas".

Nesse momento é que precisamos, como nunca, de alguma meditação sobre a afirmação do início - já considerando a possibilidade do engajamento. Por mais que as transformações sejam muitas, aceleradas e profundas, não vamos conseguir trazer a invenção de volta à vida comum se quisermos fazer tudo da noite para o dia. O tempo de uma vida é curto e, no meio da banalização geral, não deve deixar espaço para nomes. O esforço pode ter outras recompensas, talvez invisíveis sob a luz da desconexão.

É este o espírito que deve permear o trabalho do educador, seja como pais ou professores, para com a juventude.

(texto do caderno - reflexões da febre de abril)

20.6.08

do amor

Quando gostamos muito de algo (ou até de alguém), pode parecer impossível falar dessa coisa, ao mesmo tempo em que é impossível não falar dela. Então sai algo um quê desajeitado e quase que "injustificável" mesmo. Porque do amor que sentimos pela coisa, ao mesmo tempo em que queremos revelá-la aos outros, é tanto o nosso amor que parece impossível que os outros já não a compreendam.

Se alguém me perguntar de "coisas importantes" (que é como eu chamo estas profundamente amadas), é provável que, para não "derreter", eu tenha que simplificar tamanho o amor, até caber em uma explicação como a explicação que existe para todas as coisas que existem. Então pode ser também que eu tente desamar um pouco, para não ter que passar pelo constrangimento dessa simplificação; e as explicações ganham uma espécie de objetividade que vem, no fim, dessa "queda de vida" (a vida que vai embora quando se desama, ainda que "funcionalmente").

"Maturidade" é quando começamos a conseguir falar do que amamos como se fosse algo objetivo sem desamar. Maturidade é plenitude. E vou aprendendo para ensinar...

(do caderninho, 11 de março de 2008).

8.5.08

Como usar o índice - um glossário

Estou tentando me entender com o índice de assuntos do blog. Os "marcadores" (nome oficial) listados no índice no momento ainda não estão um pouco "dispersos".
Enquanto se projeta (ou compõe?) a estrutura, abri esta postagem para aos poucos fazer uma espécie de glossário dos termos ("marcadores") do índice. Espero que isto facilite a compreensão do que cada coisa quer dizer. A idéia é manter esta lista sempre atualizada.
Importante: principalmente para os projetos apresentados em mais de um capítulo, é bom não esquecer de começar a ler de baixo para cima.

2002 - 2008
Recurso para datar a elaboração de cada trabalho publicado. Também possibilita localizar a produção reunida de cada ano.

AU
arquitetura e urbanismo

bibliografia
para postagens que contenham indicações bibliográficas (por enquanto, este item deve vir acompanhado de atributos "AU", "musarq" etc.).

criação e construção
expressão que surgiu em 2002, durante a elaboração do projeto da faculdade de arquitetura (mais tarde, "escola de criação e construção") no pátio do pari, quando eu tentava não pensar pelo caminho de um servilismo da arte ou da engenharia à esse algo maior que seria a arquitetura. "tudo o que existe é produto de criação e construção".

educação
substitui o termo "ensino", que originalmente compunha o título deste blog. Ainda não sei se crio marcadores específicos para "educação em AU", "educação em música" etc. (Aí sim também em um sentido de "ensino"). Enquanto não decido o que é melhor, o que leva o nome "educação" pode vir acompanhado de um outro termo (ou mesmo mais de um). por enquanto a lista tem: "AU", "criação e construção" e "fundamentos de projeto"; em breve, espero acrescentar pelo menos "música" e "musarq".

escada e contraponto
para toda a investigação do parentesco entre o exercício do contraponto em música e o projeto de circulações verticais em arquitetura.

fau graduação
para tudo o que estiver à graduação na fau, seja ao período em que estive lá como estudante (1999-2005), seja a reflexões relacionadas ao curso de graduação independente de minha passagem por lá. a data que acompanha os maarcadores ao final do texto ajuda a identificar do que se trata.
(Obs. ver também em "jornal 1:1000")

filosofia da educação
para textos que não falem de um ensino "de algo" ou que abordem o ensino "de alguma coisa" de maneira mais ampla, não apenas por metodologia e didática, por exemplo, mas no contexto de uma reflexão filosófica sobre educação.

fundamentos de projeto
refere-se à questão de "por onde e como começar a ensinar arquitetura". não sei se vou manter esse termo aqui no blog. a coisa é que se trata de um termo "oficialmente" reconhecido; às vezes é bom ter alguns. (minha vontade é de pensar em "ensino de criação e construção" para, a partir daí, aí sim pensar em "ensino de fundamentos de projeto").

interdisciplinaridade
eis outro termo reconhecido "oficialmente". desde 2004, no segundo projeto no pátio do pari, comecei a usar um outro, "reunião de idéias", que procurava expressar a idéia de como não só as disciplinas, mas também coisas, lugares, pessoas, pensamentos se relacionam.
não me parece um problema ter um termo para significar a relação entre disciplinas; o que incomoda é o fato dessa relação acontecer quase sempre "de fora para dentro" em vez de buscar o reconhecimento do conjunto de características e potenciais presentes num objeto, para que este objeto seja, então, estudado por meios apropriados à compreensão do mesmo. espero que a produção do conhecimento científico supere essa tendência ainda vigente, da excessiva adaptação do objeto aos procedimentos cognitivos pré-estabelecidos, e que, aos poucos, se aproxime de um fazer científico criativo - e, por que não, artístico.

jornal 1:1000
para textos etc. que tenham sido publicados no jornal dos estudantes da fau, o 1:1000. para efeito de busca, estão implícitos aqui os marcadores "fau graduação" e "vita activa" (ver mais adiante).

musarq
termo que praticamente originou e dá nome o blog - que poderia ser "só" sobre isso. para tudo o que contiver alguma traço da relação entre arquitetura e música.

navegação do blog
indica postagens como esta, com instruções que clareiem o jeito que encontro de usar os recursos do blog.

pedagogia waldorf
reflexões gerais sobre esta proposta educacional (enquanto a academia insiste em ignorá-la).

projetos
marca todos os projetos. para informações complementares, ver o ano, nome do projeto e características (por enquanto, apenas "fau graduação". em breve: "fau mestrado").

reunião de idéias
ainda vou estudar como e se este termo se aplica. (vide "interdisciplinaridade").

TFG Pari
para o que tenha relação ou mencione o projeto da escola de criação e construção, de 2004 (Trabalho Final de Graduação, orientado pelo professor Antonio Carlos Barossi).

vita activa
referência à vita activa exposta e defendida por Hannah Arendt em A Condição Humana. Este livro me foi apresentado em 2007 pelo professor José Sérgio Fonseca de Carvalho, da Faculdade de Educação da USP, durante disciplina obrigatória do curso de licenciatura em música. Nele, Arendt coloca a ação como o que nos faz "mais humanos", nesse sentido em oposição ao labor (atividades necessárias à sobrevivência, pertencentes ao âmbito privado) que nos aproximaria dos animais. A ação é o que constitui a história; só pode ser realizada publicamente e na companhia de outros.
Aqui no blog, este marcador corresponderá às manifestações relativas à essa vita activa, desde reflexões até registros de tentativas e fatos ocorridos no âmbito da construção humana coletiva e pública.
(Obs. ver também em "jornal 1:1000")

óperação urbana
para o que tenha relação ou mencione o projeto óperação urbana, de 2003.

21.4.08

apresentação do blog, 2008

Muitas coisas já foram escritas nos velhos caderninhos ao longo dos anos, especialmente de 2002 para cá. Algum material foi publicado nos antigos jornais da FAUUSP entre 2001 e 2005, sob o pseudônimo de "Carol Zul". Outras permanecem guardadas e até esquecidas.

A idéia de criar o blog depois de anos de resistência ao computador veio no momento de necessidade de organização e comunicação deste material, como que para deixar surgir uma nova produção de textos na pesquisa das relações entre arquitetura e música e, ainda, dialogar com os interlocutores que começam a surgir.

Importante considerar que, em torno do eixo investigativo da relação entre essas duas artes, há também muitos textos escritos no mesmo período sobre ensino (esboços de alguma filosofia da educação, mas principalmente sobre ensino na universidade e "mais principalmente ainda" no curso de arquitetura e urbanismo). Pretendo colocá-los aqui também. Peço desculpas de antemão pela aparente "mistura" de temas, mas esta pesquisa de arquitetura e música está profundamente ligada à pesquisa do ensino (a princípio mais especificamente ao ensino de fundamentos de arquitetura e urbanismo). Imagino que o conjunto dos textos ao longo do tempo deva evidenciar todas essas relações. Se a coisa der sinais de começar a crescer desordenadamente, prometo criar um novo blog para acolher esse outro conteúdo. Por enquanto, ficamos por aqui.

Vou tentar colocar as datas (pelo menos o ano) dos textos junto do título dos mesmos para facilitar a navegação do blog. Há ainda o recurso "índice" (por assunto e ano), que também pode simplificar a busca de textos mais específicos de arquitetura e música ("musarq") ou de ensino. Pretendo aprimorar o uso desses recursos todos com o tempo; assim, é só procurar por "navegação do blog" no índice para encontrar postagens com instruções.

Sintam-se à vontade para escrever, não é preciso estar cadastrado para efetuar comentários.

Abraços,

Carol.