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6.6.08

um epílogo para a graduação

O que é arquitetura?

A FAU nos ensina que é impossível o conteúdo caber todo em uma única definição.

Arquitetura são muitas coisas, ou, como gostamos de dizer, “tudo é arquitetura”; tudo o que podemos pensar, elaborar criticamente.

Como arquitetos, temos alguns jeitos (ferramentas, instrumentos, linguagem) muito próprios de trabalhar esse tudo. Usamos o desenho, nosso instrumento _e aí estão a habilidade manual, a lapiseira, os sentimentos e os sentidos_ para compreender o espaço, nosso objeto final, com tudo o que ele contém e pode conter. No espaço, estão a matéria construída e o vazio, estão as pessoas e suas relações com as coisas e pessoas. É isso que nos encanta. Isso é o que podemos (ou até que devemos) fazer na FAU. Foi isso o que nós tentamos fazer e fizemos aqui, nos últimos cinco, seis, sete, oito anos.

Durante esse tempo, a FAU foi, para nós, casa e mãe. Aqui adotamos os irmão que nos faltavam, fomos acolhidos e orientados. E foi uma acolhida com qualidades talvez únicas. Se de um lado a grade curricular e a carga horária, entre outros sintomas de uma estrutura acadêmica mais engastada do que precisaria, muitas vezes atrapalharam nossos projetos pessoais, nunca tivemos tanta liberdade quanto aqui dentro. A liberdade de olhar para as coisas todas como arquiteturas, para muito além do senso comum. Essa liberdade de pensar, dizer, criar, que faz tantos adiarem a partida.

Agora estamos indo e não nos quer parecer ser tão impossível ser livre. Queremos lutar. Queremos continuar nossos projetos, levar adiante as dúvidas que nos instigaram aqui dentro; partir daqui para algum lugar, sim; mas a partir daqui, sem abandonar o que já fizemos, vivemos, pensamos, as amizades que construímos.

Queremos liberdade para fazer arquitetura de tudo que valha a pena; sobreviver para viver; para, quem sabe, criar um lugar em que a vida seja inteira vida, como foi quase sempre aqui na FAU.

E que esse lugar possa ser a cidade.


(discurso proferido em 07 de abril de 2005, durante cerimônia de colação de grau no auditório da fauusp)

31.5.08

escada e contraponto














Estudo para escada no Pátio do Pari durante o TFG.


A seguir, um rápido registro de um ponto de partida que deve ser desenvolvido mais adiante.

Em 2005, quando comecei a estudar estruturação musical pela primeira vez na vida, a "relação construtiva" de arquitetura e música ganhou corpo. Percebi que os exercícios de harmonia e contraponto (2006) aproximavam-se muito dos processos de projeto de arquitetura.

Um ponto de partida para estudo deve ser a relação do contraponto com o projeto de circulação vertical (escadas, rampas e até elevadores). O projeto desse tipo de circulação parece, de início, "inofensivo", mas exige uma complexidade "maior" do que o simples desenho de um único pavimento.

Enfim, lanço aqui apenas uma proposta de caminho de investigação, considerando a possibilidade de se identificarem variáveis análogas no projeto da circulação vertical e no aspecto contrapontístico na composição de uma peça musical.